RELATOS DE PSICÓLOGAS SOBRE SUA FORMAÇÃO NO ÂMBITO DAS RELAÇÕES RACIAIS

  • Hellen Maciel Santana Mestranda da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
  • Mônica Ramos Daltro Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
  • Marilda Castelar Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
Palavras-chave: Formação profissional, psicologia, relações étnicas e raciais.

Resumo

Este estudo destaca a importância de formar psicólogos como profissionais preparados para discutir o tema relações raciais, independentemente da sua cor/raça. Assim, a pesquisa analisa como psicólogas, com fenótipo branco, avaliam sua formação no âmbito das relações raciais. Estudo descritivo exploratório de abordagem qualitativa que realizou entrevistas e análise de conteúdo, subsidiada pela perspectiva sócio-histórica. A população estudada foi de psicólogas com familiaridade sobre relações raciais e que se autodefiniram brancas e pardas. As entrevistas foram realizadas com roteiros semiestruturados, gravadas em áudio e transcritas. A análise dos dados apontou que a aproximação com as relações raciais foi construída no âmbito da família e da vivência acadêmica, essa segunda identificada como vulnerável. O racismo emerge como experiência contínua nesse contexto. Discute-se a falta de conteúdos e as discussões referentes às relações raciais no processo formativo e assinala-se a importância das iniciativas pontuais identificadas pelos sujeitos da pesquisa como importantes para sua prática profissional.  O estudo também apresenta a análise e proposta dos sujeitos para superação das lacunas no campo das relações raciais na formação em psicologia.

Palavras-Chave: Formação profissional; psicologia; relações étnicas e raciais.

Biografia do Autor

Hellen Maciel Santana, Mestranda da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
Psicóloga, mestranda pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP). Participante do Grupo de Pesquisa: Psicologia, Diversidade e Saúde na linha de Pesquisa Memória, Cultura e Subjetividade. Também esteve inserida no grupo de pesquisa de distúrbios miccionais. Bolsista FAPESB/EBMSP, com o projeto: "Repercussões do racismo na pratica profissional de psicólogas negras e brancas". Realizou monitoria no componente curricular "Processos psicossociais e direitos humanos", do curso de psicologia da EBMSP. Foi aluna especial do mestrado de Psicologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) ? Conclusão em 2017.1. Realiza estudos e pesquisas na área de Psicologia Social e no campo da saúde. Atualmente frequenta as reuniões do Grupo de Pesquisa: "Psicologia, diversidade e Saúde" e do grupo de estudo sobre relações raciais da EBMSP. Atuação clínica em consultório particular e no Serviço de Psicologia (SEPSI) da EBMSP. Pós-graduanda da Especialização Lato Sensu em Gestalt-Terapia, promovida pelo Instituto de Gestalt-Terapia da Bahia (IGTBA). Mestranda em Tecnologias em Saúde pela EBMSP. E-mail: santana_hellen@hotmail.com
Mônica Ramos Daltro, Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
Doutora em Medicina e Saúde Humana, pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP). Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia (1986). Psicanalista com consultório particular desde 1986 . É professora adjunta do curso de psicologia da Bahiana e do programa de Pós-graduação em Medicina e Saúde Humana na EBMSP . Com experiência docente em Psicologia Médica, Psicologia do Desenvolvimento e Discursos sobre o corpo. Atua também como consultora de recursos humanos na área de saúde e educação. Com experiência com trabalhos de extensão em comunidade com mães e gestantes. Atualmente é Diretora da Associação Brasileira de Educação (ABEP). Membro da Asociácion Latinoamericana para Lá Formación y Enseñenza de la Psicologia (ALFEPSI) , do Conselho Administrativo da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e do Conselho do Instituto Brasileiro de Oftalmologia e Prevenção à Cegueira (IBOPC). Pesquisadora da interface psicologia, saúde e educação, atualmente focaliza seus estudos na formação de profissionais de saúde e práticas em contexto do SUS e nas especificidades da formação em psicologia. . Vice Lider do Grupo de pesquisa Psicologia , Diversidade e Saúde (CNPQ), no qual coordena a Linha de Pesquisa : Formação e Práticas de Profissionais de Saúde. Editora Científica da Revista Psicologia Diversidade e Saúde
Marilda Castelar, Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
Possui doutorado em Psicologia Social pela PUC-SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, mestrado em Multimeios pela UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas e graduação em Psicologia pela PUC Campinas - Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Possui experiência em Políticas Públicas, tendo atuado na Prefeitura Municipal de Campinas durante 14 anos. Foi Conselheira Presidente do CRPBA Conselho Regional de Psicologia da Bahia (Gestão 2007-2010) e Conselheira Suplente do CFP - Conselho Federal de Psicologia (Gestão 2010-2013). Atua como Professora Adjunta no Curso de Psicologia, desde 2003 e no Mestrado em Tecnologias em Saúde. desde 2012, na EBMSP - Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Possui experiência na área de Psicologia clínica, social e em Pesquisa com ênfase nos temas: políticas públicas de saúde, inclusão social, memória da psicologia, psicologia social, genero, saúde mental, relações etnico-raciais, saúde da população negra e direitos humanos. Coordena o Grupo de Pesquisa Psicologia, Diversidade e Saúde inscrito no CNPq e certificado pela BAHIANA. Dsenvolve os seguintes projetos de pesquisa na atualidade: Atuação de Profissionais de Saúde nos Conselhos e na Efetivação da Política Nacional de Saúde Mental na Bahia e Atuação de Profissionais de Saúde nas Políticas Públicas para as Mulheres. Com experiência de orientação Mestrado, de projetos de Iniciação Científica, de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) de graduação e especialização Atua também como Editora Científica Revista Psicologia Diversidade e Saúde

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Publicado
2018-11-18