Nos labirintos do espelho digital
a idealização da imagem e o eclipse da alteridade na adolescência hiperconectada
Palavras-chave:
Adolescência, Redes sociais, Virtualidade, Alteridade, PsicanáliseResumo
Este artigo conversa sobre um problema que já bate à porta de quase toda casa com adolescente dentro: o que a hiperconectividade digital anda fazendo com a capacidade desses jovens de enxergar o outro e de sustentar laços. A gente parte de uma cena paradoxal, por mais conectados que estejam, tela colada na mão, muitos adolescentes não conseguem segurar um vínculo presencial que se sustente no tempo. Daí a hipótese que guia o texto: o uso exagerado e sem filtro das redes sociais vai corroendo habilidades relacionais que são a espinha dorsal da convivência. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e bibliográfica, apoiada nas ideias de Freud e Lacan, com destaque para a teoria do estágio do espelho, e no diálogo com Zygmunt Bauman, Sônia Albert, Christian Dunker, Colette Soler, Andrea Brunetto, entre outros autores que ajudam a pensar identidade, afeto, a fluidez dos vínculos e a ética do encontro com o outro. O que os resultados mostram é que o ambiente digital é uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo em que abre portas simbólicas, intensifica a comparação e alimenta idealizações de perfeição impossíveis de alcançar, o que deixa terreno fértil para o sentimento de “não sou suficiente” e enfraquece o reconhecimento do outro como sujeito. A conclusão a que se chega é que a virtualidade não deve ser encarada como um campo minado: usada com consciência, e acompanhada pela família, pela escola e pelo cuidado clínico, ela pode, ajudar os adolescentes a construírem relações mais empáticas, éticas e duradouras, dentro e fora da tela.
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Referências
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