CRIACIONISMO POLIFÁSICO E CRIACIONISMO FLAGRANTE EM ATITUDES SOBRE EDIÇÃO GENÉTICA DE EMBRIÕES HUMANOS
Palavras-chave:
Representações Sociais, inovação, biotecnologia, ReligiãoResumo
A edição genética pode ser realizada a partir da CRISPR-Cas9, uma técnica capaz de alterar sequências de genoma e prevenir doenças. Todavia, esse objeto é repleto de polêmicas, uma vez que também pode ser utilizado para finalidades estéticas e os limites da manipulação levantam debates éticos sobre consequências futuras. Várias instituições sentem-se implicadas no debate, inclusive as religiosas, e embora a religião atue como um filtro perceptivo, não há um consenso na literatura quanto ao seu impacto nas atitudes. Assim, formula-se a hipótese de que a adesão ao criacionismo modula a construção de atitudes sobre edição genética. Objetivou-se explorar a adesão ao criacionismo e suas relações com atitudes em relação à edição genética do embrião humano. Foi realizada uma entrevista semiestruturada com 40 participantes A amostra foi diversificada quanto ao gênero, nível de escolaridade, pertença religiosa e participação em movimentos sociais ou associação de pacientes. As entrevistas foram submetidas à análise temática. Foram identificadas expressões de criacionismo polifásico e flagrantes com maior saliência do primeiro, podendo os dois ocorrem simultaneamente. Conclui-se que as atitudes sobre o objeto ainda estão em construção, mas a adesão ao criacionismo é uma hipótese para o embasamento de atitudes desfavoráveis sobre edição genética.
Downloads
Referências
Aléssio, R. L. S., Apostolidis, T., Santos, M. de F. de S. S., & Dany, L. (2011). Représentations sociales et embryon humain: Une étude comparative Brésil / France. Les Cahiers Internationaux de Psychologie Sociale, 92, 371–395.
Allum, N., Allansdottir, A., Gaskell, G., Hampel, J., Jackson, J., Moldovan, A., Priest, S., Stares, S., & Stoneman, P. (2017). Religion and the public ethics of stem-cell research: Attitudes in Europe, Canada and the United States. PLOS ONE, 12(4), e0176274. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0176274
Allum, N., Sibley, E., Sturgis, P., & Stoneman, P. (2014). Religious beliefs, knowledge about science and attitudes towards medical genetics. Public Understanding of Science, 23(7), 833–849. https://doi.org/10.1177/0963662513492485
BBC News Brasil. (2018, January 31). Conseguiremos algum dia curar as doenças que mais matam? BBC News Brasil. https://www.bbc.com/portuguese/geral-42859743
Bhattacharjee, G., Gohil, N., Khambhati, K., Mani, I., Maurya, R., Karapurkar, J. K., Gohil, J., Chu, D.-T., Vu-Thi, H., Alzahrani, K. J., Show, P.-L., Rawal, R. M., Ramakrishna, S., & Singh, V. (2022). Current approaches in CRISPR-Cas9 mediated gene editing for biomedical and therapeutic applications. Journal of Controlled Release, 343, 703–723. https://doi.org/10.1016/j.jconrel.2022.02.005
Brossard, D., Scheufele, D. A., Kim, E., & Lewenstein, B. V. (2009). Religiosity as a perceptual filter: Examining processes of opinion formation about nanotechnology. Public Understanding of Science, 18(5), 546–558. https://doi.org/10.1177/0963662507087304
Cyranoski, D. (2019). Russian biologist plans more CRISPR-edited babies. Nature, 570(7760), 145–147. https://go.gale.com/ps/i.do?p=HRCA&sw=w&issn=00280836&v=2.1&it=r&id=GALE%7CA588699559&sid=googleScholar&linkaccess=abs
D’Agostino, Y., & D’Aniello, S. (2017). Molecular basis, applications and challenges of CRISPR/Cas9: A continuously evolving tool for genome editing. Briefings in Functional Genomics, 16(4), 211–216. https://doi.org/10.1093/bfgp/elw038
Delhove, J., Osenk, I., Prichard, I., & Donnelley, M. (2020). Public Acceptability of Gene Therapy and Gene Editing for Human Use: A Systematic Review. Human Gene Therapy, 31(1–2), 20–46. https://doi.org/10.1089/hum.2019.197
Evans, J. H. (2013). The Growing Social and Moral Conflict Between Conservative Protestantism and Science. Journal for the Scientific Study of Religion, 52(2), 368–385. https://www.jstor.org/stable/24644014
Fagot-Largeault, A. (2004). Embriões, células-tronco e terapias celulares: Questões filosóficas e antropológicas. Estudos Avançados, 18, 227–245. https://doi.org/10.1590/S0103-40142004000200015
Jodelet, D. (2001). Um domínio em expansão. In D. Jodelet (Ed.), As representações sociais (pp. 17–44). EdUERJ.
Johnson, D., Scheitle, C., & Ecklund, E. (2015). Individual Religiosity and Orientation towards Science: Reformulating Relationships. Sociological Science, 2, 106–124. https://doi.org/10.15195/v2.a7
Luna, N. (2002). As novas tecnologias reprodutivas e o estatuto do embrião: Um discurso do magistério da Igreja Católica sobre a natureza. Gênero, 3(1), 83–100.
Mali, T. (2014). Se o homem fosse planejado—A ideia ruim de misturar ciência e religião. Epoca.Globo.Com. https://epoca.globo.com/ideias/noticia/2014/12/se-o-homem-fosse-bplanejadob.html
Meyer, M. (2020). The CRISPR babies controversy: Responsibility and regulation in the spotlight. EMBO Reports, 21(7), e50307. https://doi.org/10.15252/embr.202050307
Moizéis, H. B. C., Torres, A. R. R., & Estramiana, J. L. Á. (2024). Representações sociais sobre o início da vida humana: Uma análise dos elementos textuais do Brasil e Espanha. Boletim de Conjuntura (BOCA), 17(50), Article 50. https://doi.org/10.5281/zenodo.10644816
Moliner, P., & Tafani, E. (1997). Attitudes and social representations: A theoretical and experimental approach. European Journal of Social Psychology, 27(6), 687–702. https://doi.org/10.1002/(SICI)1099-0992(199711/12)27:6<687::AID-EJSP839>3.0.CO;2-7
Moscovici, S. (2009). Representações sociais: Investigações em psicologia social. Vozes. https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-941275
Oliveira, D. C. de. (2008). Análise de conteúdo temático-categorial: Uma proposta de sistematização. Revista Enfermagem UERJ, 16(4), 569–576.
Sales, L. (2015). “Em defesa da vida humana”: Moralidades em disputa em duas audiências públicas no STF. Religião & Sociedade, 35, 143–164. https://doi.org/10.1590/0100-85872015v35n2cap06
Santos, M. de F. de S. (2005). A teoria das representações sociais. In M. de F. de S. Santos & L. M. de Almeida (Eds.), Diálogos com a teoria das representações sociais (pp. 13–38). Editora Universitária UFPE.
Schall, B., Fernandes, V., & Castelfranchi, Y. (2020). “Não estou aqui para discutir aspectos religiosos”: A defesa do criacionismo com argumentos tecnocientíficos. Religião & Sociedade, 39, 197–220. https://doi.org/10.1590/0100-85872019v39n3cap09
Valentim, J. P. (2022). Noções básicas sobre representações sociais. In J. P. Valentim (Ed.), Representações sociais. Para conhecer o senso comum (pp. 23–39). Edições Sílabo.
Vargas, E. S., Caccamo, M., Hashim, S., & Eng, O. (2018). La evolución del diseño inteligente: Entre religión y ciencia. Revista Científica General José María Córdova, 16(22), Article 22. https://doi.org/10.21830/19006586.321

